sexta-feira, 30 de junho de 2017

Collor x Dilma: as diferenças do impeachment de 1992 e o de 2016

Em agosto de 2016, quando a ex-presidenta Dilma Rousseff sofreu o impeachment, a população quase automaticamente se lembrou do impeachment de 1992, 24 anos antes,  com Fernando Collor de Mello, já que essa havia sido a primeira (e última vez, até então) que esse fato constitucional ocorreu na história do país. Dessa forma, as comparações e perguntas surgiram: será que a história na política estaria se repetindo?

Quando Collor assumiu a presidência em 1990, o Brasil ainda hão havia superado as crises da chamada "década perdida", nos anos 80, quando o país alcançou níveis altos de inflação e problemas com a dívida externa. O então presidente resolveu fazer um conjunto de reformas econômicas para estabilizar a inflação, o qual ficou conhecido como "Plano Collor". O plano não funcionou, pelo contrário, apenas causou a insatisfação da população e a queda da sua popularidade. Posteriormente, Collor tomou a decisão que o levou ao impeachment: o confisco do saldo das poupanças bancárias de todo o país.

No governo de Dilma Rousseff, a economia também não estava das melhores. Logo no início do seu governo, sofreu críticas por manter as taxas de juros artificialmente baixas, além dos empréstimos subsidiados a grandes empresas via BNDES, o que levou à necessidade de um ajuste fiscal, distanciando investidores e consumidores do país. Dessa forma, mesmo que a ex-presidenta não tenha cometido nenhuma decisão grave na economia, igual Collor ao confiscar a poupança, também enfrentou um período de inflação, dólar alto e dificuldades em fechar o superávit primário.

As medidas econômicas adotadas por Collor, como o Plano Collor, foram suficientes para que a sua popularidade despencasse. Em 1992 se deparou com protestos gigantes pelo o Brasil inteiro. Segundo o Instituto Datafolha, Collor foi reprovado por 68% e aprovado apenas por 9% da população. Toda a sociedade civil organizada (movimentos estudantis, movimentos sociais, sindicatos e entidades de classe) se opôs completamente à Collor. O ex-presidente não recebeu nenhum apoio. Inclusive, a UNE (União Nacional dos Estudantes) organizou boa parte dos grandes protestos. Já no processo de impeachment de Dilma, a UNE e outras entidades importantes como a CUT (Central Única de Trabalhadores) apoiaram a então presidenta e se articularam para defender o governo nas ruas. Porém, Dilma também sofreu repressão por parte da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).  Também segundo o Instituto Datafolha, Dilma foi rejeitada por 71% da população e aprovada por 9%.

Assim, os dois processos constitucionais, com 24 anos de diferença, possuem mais diferenças do que semelhanças, principalmente quando levamos a comparação para a questão do apoio no congresso.

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